quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Prédio Novo

Os anos 71 e 72 foram anos de grandes mudanças para nossa família.  Em 1971 a tia Dalila foi-se embora para Cachoeiro, em 1972 meu irmão nasceu e logo depois meus avós mudaram-se para o novo prédio que meus pais haviam construído na Av. Comendador esquina com Monsenhor Pedrinha.
O prédio ainda não estava completamente pronto, levou anos para ser terminado. Mas a apartamento de vovó e vovô  ficou pronto para eles morarem. Me lembro direitinho do dia da mudança pois foi muito difícil tirar os móveis do prédio antigo, a escada era muito estreita para passarem com os móveis, papai como sempre com suas idéias engenhosas resolveu tudo.
O novo apartamento era lindo, todo sintecado. Naquele tempo era o que havia de mais moderno, me lembro como era brilhante. Adeus escovão,  cera parquetina, palha de aço. O sinteco veio para ficar.
O apartamento era enorme, a gente se perdia lá dentro de tão grande. O banheiro era tão imenso que  quando nós ficávamos là virava a nossa grande diversão, jogávamos água por todo o banheiro e depois ficávamos escorregando no chão molhado. O problema era a água fria. Meus avós  não tinham água quente para o banho, eles diziam que não era bom para a saúde, era tão difícil tomar banho na água fria que tivemos que desenvolver técnicas de como entrar na água sem sofrer. Uma delas era a brincadeira de escorregar.
Os móveis do quarto dela era todos em peroba,  eram muito pesados. Mas eram bonitos, envernizados e combinavam com o sinteco novo. Em cima da cômoda havia a foto de um menino, eu achava que era a foto de Bebeto, sobrinho dela. Mas ela dizia que era a foto de Leandro. Infelizmente não sei quem era esse Leandro.
O sonho de vovó  era ter um fogão  à lenha, então foi feito um fogão a lenha especialmente para ela. Era tão bom aquele cheiro de lenha queimando e aquele cheiro bom do frango que ela fazia. Quanta Saudade! Uma coisa que eu adorava fazer era que eu molhava a mão  e depois balançava para ver os respingos d'água fritando na chapa.
Na sala havia um jogo de sofá decorado com almofadas feitas em crochê, num outro canto ficava o sofá da tia Dalila, um sofá de dois lugares que ela deixou pra trás quando mudou-se, nesta sala ficavam também duas máquinas de costura , uma manual que era a máquina que ela fazia seus bordados e uma outra elétrica  a " Vigoreli",  a qual ela não usava nunca, a Dona Clothildes era resistente à modernidade. Num canto ficava a televisão e em cima dela ficava um rádio. Estes aparelhos eram daqueles que você liga e eles demoram a começar, então eu ligava a TV ou o rádio e ia fazer alguma coisa, demorava cerca de 5 a 10 minutos.
No fim da tarde vovô chegava da roça com sua bicicleta. Sempre trazia alguma coisa, seja um aípim ou umas folhas para uma infusão que ele tomava naquelas canecas esmaltadas.
No primeiro andar aonde eles moravam havia uma sala que logo foi alugada. Ali funcionou o salão de beleza "Dajuê", pertencia a  uma jovem cabeleireira muito simpática a qual não me lembro o nome e  que hoje faz sucesso em Nova York com suas irmãs as famosas J Sisters. O salão era moderno para a época com
espelhos grandes e redondos e móveis em fórmica.
No térreo o meu pai tinha o  Supermercado Santa Mônica.  Este supermercado funcionou por algum tempo mas não foi em frente. Mas ele existiu o suficiente pars me deixar memórias. Me lembro de mamãe trabalhando no caixa e também de uma máquina de café. O café  o  era servido numas xícaras  brancas, pequenas e estavam f sempre quentes, o cheiro de café no ar era constante.  Papai recebia uma revista mensal chamada Super Hiper,  era uma revista informativa do mercado de alimentos. Eu não sei quanto ao meu pai, mas eu me deliciava lendo-as, pois tinha uns quadrinhos muito engraçados no final de cada edição.
Como o segundo andar não estava pronto de vez em quando a obras recomeçavam, aí começava aquela movimentação de pedreiros, sobe e desce com latas e mais latas de massa, e aquele  cheiro cimento molhado no ar. De vez em quando eu topava com o Chico Boneco que vinha procurar vovô Joaquim, eu corria a me esconder. Tinha um medo enorme daquele homem.
No segundo andar, quando ficou pronto, lá pelos anos 77 ou 78 funcionou o Turismo Palace Hotel, de propriedade do meu pai Eldon Lopes Louzada.
E assim se passaram mais alguns anos de ouro de nossas vidas.





Nesta foto podemos ver o antes e o depois do prédio,  no canto direito a foto preto e branco obtida através do Memorex Linhares em 1973, e a foto colorida atual tirada hoje 19/01/2017. Esquina da Rua Monsenhor Pedrinha  com Av. Comendador Rafael, Linhares, ES.



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