domingo, 27 de dezembro de 2015

Vovó Aracy III

Últimos anos de sua vida. A vovó Aracy rodeada pela suas bisnetas.
Fonte : Facebook de Evelize Calmon
A vovó tinha um talento especial para agradar as crianças. Era uma contadora de estórias nata.  Mamãe, até hoje fala das estórias que ela contava, que eram tão verdadeiras, mágicas e fantásticas. Eu, particularmente não lembro das estórias, mas eu lembro bem da brincadeira do bico siririco.
Esta brincadeira consistia em que ficávamos em círculo com o dedo indicador apontado e os demais dedos escondido na palma da mão, a vovó por sua vez liderava o círculo e ia batendo nas nossas mãos cantando a canção:
"Bico siririco,
Quem te deu tamanho bico,
Foi de ouro, foi de prata,
Bota a mão no seu sovico"

Quando ela parava a cantiga a pessoa que ela estivesse com a mão em cima tinha que colocar a mão no sovaco. E aí continuava até todo mundo estar com a mão no sovaco.
Uma brincadeira tão simples e sem propósito mas que a gente adorava brincar e tinha  que ser com ela.
A vovó era especialista em fazer chupetinha. Ela tinha umas formas de ferro para fazer pirulito que tinham o formato de uma chupeta de bebê. Quando ela vinha e trazia as chupetinhas a gente parecia que estava no céu de tanta felicidade. Outro agrado inesquecível eram os pães que ela fazia. A massa era deliciosa mas, o melhor eram os formatos dos pães: jacarézinho, tatuzinho e muitos outros bichos e o mais encantador era que ela tinha o capricho de colocar os olhinhos nos bichinhos que era apenas um pequeno cravo-da-índia , inserido na massa ainda crua que depois de assados ficavam lindos e perfeitos. Tenho que dizer, minha avó era extremamente talentosa e amava muito os seus netos.
Ainda falando de comida, a canjica que ela fazia era extraordinária. Era tradição na Páscoa, ela fazia a canjica regada no leite de côco  com amendoim. Era de revirar os olhos de tão bom!
Um outro grande talento da minha querida avó  Aracy eram os bordados. Neste caso fui abençoada pelos dois lados pois minha avó paterna também tinha este mesmo talento. Os bordados à maquina dela eram lindos, muito refinados. Ela era extremamente caprichosa para fazê-los, levava tempo pois cada trabalho era uma obra de arte.
Fico por aqui com as estórias da Dona Aracy. Mas tenha certeza de uma coisa, ainda não acabou. De vez em quando alguém ressuscita um "causo".
Uma hora dessas volto com mais estórias da "vovóracy" para nos fazer rir e aquecer os corações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário