quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os Nossos Brinquedos

Quantas boas lembranças tenho dos nossos brinquedos. Na verdade cada uma tinha os seus, mas no fim das contas brincávamos juntas então o amor pelos brinquedos era o mesmo.
Quando era bem pequenininha, tínhamos um topo gigio, não sei a qual de nos pertencia, só sei que era amado por todas nós.
Nosso Topo Gigio era igualzinho a este aqui

Adriana tinha uma boneca Suzi.   Linda,  linda, linda!   Ela tinha os cabelos longos,  Um vestido rosa com a parte da saia em sianinha branca, um cinto de fivela grande super fashion.
Achei esta Suzi na Internet,  não faz jus à beleza da verdadeira, porém o vestido da foto embora seja verde é igualzinho ao da Suzi da Dri
 Jack tinha uma boneca bebê que tinha uma toca branca em plástico rigido. O que era legal nessa boneca é que podíamos virar o rosto dela para dentro da toca então a parte que vinha para frente tinha  outra expressão, podia ser de riso ou choro. Essa boneca era disputada.

Procurei na Internet e descobri que o nome dela é Fiteira:

No tempo em que eu ainda não era nascida as meninas ganharam umas bonecas conhecidas como Dorminhoca, eram umas bonecas para se colocar de enfeite sobre as camas,  era uma rosa de Adriana e uma azul de Jacqueline, tenho lembrança dessas bonecas,  porém não sei por que essas bonecas sumiram do cenário  lá de casa.

 Assim  também foram com as Bijus  eram umas bonequinhas lindas , pequenas como um bebezinho, desapareceram... para onde foram?  Acreditávamos piamente que estavam  todas escondidas no alto do guarda-roupas. Vivíamos a desenvolver planos para alcançar o alto e enfim  resgatar as bonecas. Outra teoria era que vovó Cati havia escondido. Ela tinha o costume de guardar tudo para conservar. Então quando íamos na  casa dela vivíamos a espionar dentro dos seus guardados, mas nada das bonecas. Nunca as encontramos  de novo. Ficaram na memória apenas.
Adriana sempre foi  muito cuidadosa com os seus brinquedos, ela teve a boneca Lalá e lulú e o boneco Manequinho que faz pipi. Chegamos até a fazer um  aniversário para ele com bolo e tudo. Esse boneco existe até hoje na casa de mamãe. Eu nunca tive um manequinho,  mas em compensação eu tive um  Jupidélio.
Manequinho e Lalá e Lulú abaixo


Pois então,  esse boneco Jupidélio era um boneco muito parecido com o manequinho. Ele pertenceu a minha prima Idris, que moravam lá em Vila Velha e toda vez que eu ia pra lá o Jupidélio era meu. O  meu sonho era trazer o Jupidélio para Linhares mas, ele ficou por lá mesmo. Tia Iracilda se deleitava  me contando a estória do nome dele. Quando a Idris o ganhou de Natal ficou muito orgulhosa de seu presente, parecia um bebê de verdade, ela o apresentava às amigas como Paulo, e titia ficava só espreitando a conversa, muito crítica que era, ela saia com a piada, e dizia:

-  Que Paulo, que nada! O nome dele é Jupidélio!

E assim foi contra o gosto da pobre Idris que ele foi batizado.

Voltando pra Linhares, a tia Dalila tinha um quebra-cabeça
 que também só brincávamos quando estávamos com ela. Era uns cubos grandes, que quando juntos formavam uma figura, cada lado do cubo formava figuras diferentes.
Mais tarde tive um brinquedo que eu amava, e minhas colegas de colégio iam muito lá em casa para brincar ou eu levava para a casa delas também.  Foi um brinquedo que meus pais me deram uma vez que fui a Colatina com eles. Eu devia ter uns 8 anos. Eram umas forminhas de rostos para fazer esculturas de gesso e depois pintar. Misturava-se o gesso na água,  colocava-se nas forminhas,  esperava-se secar, essa era a parte mais difícil ninguém queria espera secar... E depois pintar os rostos. Quando ficavam prontos eram lindos rostinhos, tinha um que me lembro bem era o favorito de todos, era o rosto de uma japonesinha.
Lá na Estrelinha vendia-se uma bonequinha em miniatura que fazia sucesso. Era uma bonequinha bem miúda que tinha os braços,  pernas e cabeça  móveis.  Era vendida sem roupa. A gente que pegava uns pedacinhos de pano para fazer roupas para as bonequinhas.



Essas são minhas lembranças dos nossos brinquedos com as meninas, pelo menos os mais marcantes. Quanta Saudade! 
*Todas as fotos mostradas são de busca na Internet.  A única coisa que tenho desses brinquedos é a lembrança. 

sábado, 19 de março de 2016

Os Novos Moradores

Eles chegaram, os novos moradores que habitariam no apartamento deixado vago pelos meus avós. Era uma família numerosa. Os pais eram Dona Nega e Seu Natinho.  Tinham 5 filhas todas moças, com mais de 15 anos, com exceção da mais nova que era da idade do Fabinho , portanto, pelo menos 5 anos mais nova que eu. Os filhos, creio que eram 4 todos rapazes, talvez 5, todos rapazes também.
Eram pessoas simples provenientes de Bom Jesus do Norte, eram pessoas bastante amigas. Moraram no nosso prédio por muitos anos.
 As jovens filhas variavam entre adolescentes e começo da fase adulta, então música era uma coisa que não podia faltar. Nós tinhamos um estilo mais urbano enquanto eles tinham um estilo country, gostavam de cavalgadas, passarinhos, chapéu de cowboy. O gosto musical deles era mais do estilo popular/country diferente do tipo de música que escutávamos lá em casa. Todos os grandes hits da época eles tinham:  Perla, Jane e Herondy, Odair José, Joelma,Antônio Marcos , Carmen Silva,Diana e todos os outros que eram tantos que nem tenho como lembrar. Elas gostavam muito de revistas também: Contigo, Amiga, Sétimo Céu, Carícia, Grande Hotel e etc... Mas o que tinha nestas revistas que elas gostavam tanto? Duas respostas:

primeira: as fotonovelas;

segunda: os posters.

Tenho que confessar que eles tiveram grande influência no meu gosto musical que é bastante eclético até hoje e as fotonovelas eu adorava, quem me conhece sabe que eu lia tudo que passasse na minha frente. Mas, os posters...Ah os posters...!
Nunca consegui entender. Tudo bem que os artistas eram bonitos, mas não precisava exagerar. Elas eram loucas pelos posters dos artistas. Elas compravam todas as revistas que saiam na banca, não perdiam nem um número. Mas o que elas faziam com os posters?

 Iam para a parede.

 As quatro paredes do quarto eram cobertas pelos posters dos artistas mais bonitos e famosos da década de 70:
 Ronnie Von, Pedrinho Aguinaqua, Tony Ramos, Tarcísio Meira,Francisco Cuoco, Carlos Zara,Odair José , John Herbert e etc...
Eram loucas por novelas, mas isso todo mundo era. Nesse tempo a televisão não era à cores então eles tinham uma telinha colorida como um arco-íris na frente da televisão. Era o máximo, a gente ia correndo para lá assistir as novelas "coloridas", isso ainda no tempo da Rede Tupi: Mulheres de Areia, com Eva Wilma e Carlos Zara, Anjo Mau com Suzana Vieira e José Wilker,Vitória Bonelli, Meu Rico Português, A Barba Azul com Eva Wilma.
Os passarinhos.  Ah os passarinhos! Adoravam os passarinhos! Tinham tantas gaiolas...era a vitrola tocando  de um lado e os passarinhos gorjeando do outro.
A filha mais velha do casal, casou-se. Me lembro dela, uma morena muito bonita vestida de noiva se escondendo para o noivo não ver, para não dar azar. Seu vestido branco era muito bonito, colado ao torso e a partir do joelho ia se abrindo como uma sereia e um chapéu muito elegante, moda na época.
Um dos rapazes quando se casou o seu primeiro filho se chamou Adriano em homenagem a minha irmã Adriana. Ela era muito querida por todos os membros da família.
E assim se passaram muitos anos dessa alegre família que morou no nosso prédio na Av. Joao Felipe  Calmon, 454 e nos trouxe tanta alegria, com suas músicas, revistas, fotonovelas e novelas coloridas como o arco-íris... E como todos os outros moradores o dia de ir embora chegou, mas, deixaram sua marca registrada na memória de quem viveu estes anos inesquecíveis do nosso prédio. Depois que eles se foram os apartamentos não foram mais alugados, após tantos anos de aluguéis e pouca manutenção os apartamento do segundo andar ficaram inabitáveis.
 Ficamos morando sem vizinhos até 1981, quando papai reformou o pequeno apartamento dos meus avós e alugou para o filho do Seu Guimarães recém-casado.  Ficaram pouco tempo pois eles mudaram-se para o Pará. Não demoraria muito chegaria a nossa vez em 1982.  Mas essa é outra estória a contar no Recordar é viver...

Enquanto isso divirta-se com os grandes sucessos de Joelma e Perla:








quarta-feira, 9 de março de 2016

Avenida João Felipe Calmon, 454

Este era o nosso endereço  em Linhares,  o nosso e o de muitos que moraram no nosso prédio ao longo dos anos. Os nossos vizinhos foram inesquecíveis pois cada um  que por alí passou trouxe algo consigo  e quando cada um se  foi  deixou algum fato que de alguma forma marcou nossas vidas. Vou tentar enumerar aqui alguns moradores talvez algum me escape.
A primeira de todas e a mais querida que tornou-se  membro da família  tia Dalila, pessoa maravilhosa que já tive oportunidade de descrever aqui no Blog anteriormente. Depois que ela se mudou o seu quarto foi alugado para uma juiz, um  Senhor muito gentil, lembro muito bem dele, mas não lembro o seu nome. Num dos apartamentos  no segundo do andar morou um casal Maria José  e Fabiano,  ela era professora e dava aulas particulares para as minhas irmãs. Tia Marly e Tio Marísio também moraram neste apartamento com Masterson ainda pequenininho foram contemporâneos da Tia Dalila. Mais tarde no apartamento ao lado moraram outro casal, Seu Souza e Dona Cleusa, ele era bancário e tinham dois filhos muito bonitinhos, Cláudio e Flávia eles eram menores que eu, mas não brincávamos muito pois Dona Cleusa era muito severa e não deixava eles saírem. Todo mundo dizia que o Cláudio era meu namorado, e eu detestava essa brincadeira. Quando o Cláudio foi estudar no Castelo Branco o Seu Souza nos levava pra escola no seu fusquinha. Um belo dia o seu Souza ganhou na loteria, então compraram uma casa e se foram como tantos outros moradores do prédio.  As vezes o prédio ficava vazio, só nos morávamos lá, desse modo juntávamos a turma de primas e íamos brincar de pique-esconde nos apartamentos. Mamãe se via doida  com aquela algazarra de criança correndo e gritando:

-  1,2,3, bóia....1,2,3, bóia

Quando ela não aguentava mais  botava um fim na brincadeira.
Quando a Casa Lopes fechou e a loja ficou vazia, um certo inquilino amicíssimo de papai,  Seu Brandão , pediu por ocasiāo de sua mudança, ele morava no segundo andar, para armazenar na loja, então vazia, o guarda-roupa que era  muito grande e não coube no transporte, ele mandaria buscar depois. Até hoje eu  não entendo como esse guarda-roupas ficou guardado montado.  O tal caminhão que vinha buscar demorou muito tempo, então nós crianças criativas que éramos, inventamos uma brincadeira. Mais uma vez juntávamos as primadas  e íamos brincar de casinha, dentro do guarda-roupas  cada porta era uma casa, a parte da calceira eram dois apartamentos menores, escrevendo estas linhas sou capaz de ouvir o eco do abre e fecha das portas dentro daquela loja enorme e vazia. Um dia, esse guarda-roupas caiu e foi um  deus-nos-acuda com criança presa dentro.  Acho que nosso anjo da guarda era muito forte pois ninguém se machucou, mas, o guarda-roupas,  esse coitado ficou todo empenado e depenado. Não sei como papai saiu dessa saia justa quando seu Brandão  finalmente veio buscar o guarda-roupas. 
A loja vazia não demorou muito foi alugada para o depósito de trigo do Grupo Buaiz. Foram muitos anos de poeira branca de trigo sobre os móveis. 
Os meus avós mudaram para seu novo apartamento  na rua Monsenhor Pedrinha aproximadamente em 1971 ,e logo o apartamento vazio foi alugado para uma família que morou no prédio por  muitos anos. Mas, esta família merece um capítulo especial , que estarei contando em breve no Recordar é Viver.
Assim  era a dinâmica do nosso prédio,  sempre tinha alguém chegando ou saindo. Assim eram nosso vizinhos quando chegavam aos poucos iam se instalando e fazendo parte na nossa vida, e quando iam sempre deixavam um vazio que era preenchido pelas boas lembranças e saudades no imaginário  de quem ficava no inesquecível  e velho endereço Av. João Felipe Calmon, 454.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Nem tudo são flores!

Um dia acordamos com uma novidade. Ladrões haviam entrado na Casa Lopes. O muro do fundo do prédio tinha sido arrebentado, arrombaram a porta dos fundos da loja  e os malfeitores entraram para roubar. Fizeram uma limpa. Não conseguiram levar tudo, então, o que não puderam levar, destruiram. Eu ainda era muito pequena mas me lembro do rosto desolado de minha avó, mostrando com indignidade as calças cortadas ao meio. Não eram apenas ladrões em busca do lucro em cima do esforço alheio, mas, eram pessoas que além de roubar queriam deixar um rastro de destruição. Isso não impediu meus avós nem meus pais de continuarem a vida e trabalharem para conseguirem seus objetivos. Na mesma semana meu pai contratou  um pedreiro para consertar o muro arrebentado e aumentou a altura do muro.
Era comum pessoas virem à loja mau intencionadas. Minha irmã conta que presenciou uma cena de uma Senhora com suas filhas que veio a loja e ia saindo com o retalho enfiado na bolsa quando foi abordada por vovó para pagar ou devolver o tecido.
Os anos foram passando e os interesses foram mudando, meu avô trabalhava muito na roça e ficava pouco na loja. Quem ficava na loja era minha avó Clothildes pois  meus pais haviam comprado um terreno na rua Monsenhor Pedrinha aonde abriram o Supermercado Santa Mônica. Então finalmente decidiram fechar a loja. O fechamento da Casa Lopes foi o fim de uma era para a nossa familia.
Seu Joaquim Lopes saiu definitivamente dos negócios deixando por conta de papai, ele continuou responsável ainda pela roça, e isso ele fazia muito bem.
Linhares estava mudando mais uma vez. O comércio  estava se expandindo de novo agora apontava para a rua Monsenhor Pedrinha em direção a Br 101.
Quando a Casa Lopes fechou , ficou um grande vazio no térreo do nosso prédio. Mas, as mudanças não pararam por aí, meus avós  também mudaram para o novo apartamento na rua Monsenhor Pedrinha, em 1971. Então nosso prédio ficou vazio de vez. Aos poucos tudo mudava, primeiro foi a tia Dalila, depois a loja, depois nossos avós. Era tão bom tê-los por perto! Aos poucos nosso prédio foi ficando vazio. Aquela rua que era a principal de Linhares, com seus lindos canteiros e arborizada, a rua comercial tão movimentada não tinha mais o dinamismo de outrora. O prédio continuava lá, mas faltava a alegria que um dia esteve por ali, e que o tempo levou com sua arte de transformar as coisas. Ficamos nós seis. Mas, não ficamos sozinhos por muito tempo...


O vexame
Cena presenciada por minha irmã Jacqueline na infância, quando ela me contou há alguns anos esta passagem fiz este desenho em crayon para ilustrar a cena.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Era Muito Bom Quando Eles Moravam ao Lado!

Era tão bom tê-los por perto. Sempre prontos a nos ajudar, pegar no colo, falar com carinho ou chamar a atenção, mas com o objetivo de educar e com muita ternura sempre ensinavam alguma coisa.  Estou falando dos meus avós paternos. Eles moravam no apartamento ao lado.
Tem algumas coisas que ficaram impregnadas na memória, me lembro até hoje do meu vô Joaquim me ensinando a tomar sopa. Ele ensinava que quando a sopa estava muito quente eu tinha que pegar a sopa da borda do prato, em pequenas quantidades. Faço isso até hoje e penso nele. Outra que é certa, quando o café com leite estava muito quente ele pegava outra caneca e transferia o café  com leite de uma caneca a outra para esfriar, como faz para saber se já está esfriando? Quando começa a espumar. Talvez sejam coisas óbvias  e tão simples mas lembro dele ensinando esses pequenos segredos de sobrevivência para a netas.
Era muito bom quando faltava luz, vovó Cati ia logo pegar uma vela para acender e esse momento era mágico. Aquela sensação de medo pelo escuro e a luz da vela que chegava clareando.
E quando tinha alguma tempestade, com raios e relâmpagos ela nos proibia terminantemente de pegar qualquer objeto metálico, com medo de sermos atingidos por um raio.
Quando chegava a noitinha, depois da janta, a vovó Cati, saia com a gente para dar uma volta na rua. Ela ia dando seus passos lentos e distraídos, olhando as vitrines. Iamos correndo na frente, eu minhas irmãs, para pular marelinha macaca em frente a Sapataria Mister, mais a frente ela encontrava a sua amiga Dona Jacira, que era a esposa do Seu Benvindo do Bar Sport, alí elas conversavam distraidamente e depois voltávamos para casa.  As vezes ela nos levava na Sorveteria Xodó para tomar sorvete, aonde o nosso preferido era o sorvete de flocos.
Bons tempos. Só guardo boas lembranças e muita saudade.

domingo, 31 de janeiro de 2016

A Pracinha dos Bichos

Desde pequeninha eu tive atração pela Pracinha dos Bichos. Com a idade de 2 anos, quando ainda mal falava, fugi de casa em direção a pracinha. Foi meu tio Mauricinho que me encontrou por acaso, ele ia passando com seu Jeep quando  viu algumas pessoas perguntando a uma criança quem ela era e tudo que ela falava era "pipi", em referência aos pássaros da pracinha, ele parou para ver o que estava acontecendo. Quando me viu, deu aquela gargalhada , me pegou no colo e levou para casa.
A pracinha dos bichos era o nosso paraíso.  Bastante arborizada e jardins sempre cuidados, tinha uma quadra e dividia o espaço com o Jardim de Infância Menino Jesus.  A principal atração era  um mini zoológico com exemplares da Mata Atlântica: jacaré, macaco, cobra, capivara, preá,tucano, papagaio, arara e outras aves. Mas tinha também a parte dos brinquedos com balanços, gaiola, trapézio, gangorra que fazia a alegria geral da petizada. Quando a gente queria balançar e todos os balanços estavam ocupados, a gente se encostava no suporte do balanço e esperava a vez.
O grande medo da minha mãe, lá na pracinha, era o lago.  Ela tinha medo de afogamento.  Lá tinha um lago, com muitos peixes, que circundava uma pequena ilha a qual se tinha acesso por duas pequenas pontes. Com muito custo , depois de pedirmos muito  ela finalmente permitia que fossemos brincar na pracinha, com a promessa de não ir próximo ao lago. Foi numa dessas idas que surgiu uma brincadeira "deixa eu te segurar senão você cai".  A brincadeira era que alguém se aproximava de você, quando estivesse perto do lago, então abruptamente empurrava e segurava dizendo " deixa eu te segurar senão você cai". Foi numa dessas que Alvina, minha prima, fez isso comigo,  e eu no ímpeto da reação realmente a derrubei dentro do lago. Foi aquele Deus nos acuda  para tirar ela lá de dentro, e todo mundo ficou espantado com o meu feito pois, eu era a menor da turma e Alvina já era bem grande e esperta. Mas, com isso descobrimos que o lago não era tão fundo quanto mamãe pensava.

Nesta foto pode-se ver o lago e com  bastante cuidado vê-se as pontes.
Foto extraída do Memorex Linhares

Ao longo dos anos a nossa pracinha foi sendo abandonada os prefeitos ja não cuidavam mais da pracinha, até que um dia um prefeito teve a "brilhante" idéia de murar a nossa Pracinha, foi a cartada final para a sua decadência. Foi demolido também o Jardim de Infância e no seu lugar construídos módulos, nada bucólicos que depois de anos abandonados e sem função serviram para abrigar o fórum de Linhares. Hoje pelo menos esta renovada e remodelada, numa tentativa de busca do passado perdido e seu nome é "Praca 22 de Agosto".
Mas eu sei dentro do meu coração, que, aquela pracinha não existe mais no mundo real. Ela só existe no imaginário de quem viveu em Linhares nas décadas de 60 e 70 e reconhece nestas linhas a "Pracinha dos Bichos" da qual eu estou falando.
Nossa história começa aqui!

domingo, 24 de janeiro de 2016

A Vitrola

Nos idos anos 60 os móveis eram bastante engenhosos. Lá em casa tinha um desses móveis, de certa forma até grande, parecia uma cômoda no tamanho.  Então abria-se uma porta de um lado ficava o rádio e do outro puxava-se uma gaveta aonde colocávamos o disco para tocar, o nome dessa engenhoca era Vitrola ou Eletrola.


Esta é uma vitrola, porém não é igual ao modelo que tínhamos.  Só para dar uma idéia

Era essa vitrola que trazia alegria lá para casa pois alí escutávamos músicas e  estorinhas.
Papai adorava música, ele tinha uma coleção que foi juntando ao longo da sua juventude então nós tinhamos uma seleção variada desde os anos 50 aos 70.  Os grandes sucessos da época,  os que eu cito aqui não chegam nem aos pés do que realmente a gente tinha guardado lá em casa:  Bill Halley e seus Cometas,   Iê iê iê, A Jovem Guarda, Beatles, Elvis,Tim Maia, a Banda do Canecão e muitos outros. Adorávamos e ouvíamos de tudo. Mas como criança o que nos atraia a atenção eram os discos infantis, um dos nosso favoritos era o Topo Gigio com suas canções: Meu limão meu limoeiro, Cai cai balao , Chove chuva e outras. Os discos de estórias da Coleção Disquinho faziam muito sucesso lá em casa também. Esta coleção disquinho eram pequenos discos coloridos que contavam as estorinhas favoritas da criançada poderiam ser cantadas ou apenas contadas mas sempre tinha uma música tema, nós tínhamos: O macaco e velha , favorito da minha irmã Jacqueline, A festa no céu,  que eu adorava, a Estória da Baratinha, era a favorita da minha mãe para nos contar na hora de dormir. Mas, lá na casa das minhas primas tinham muitos outros : Úrsula e o vento, A formiguinha e a neve, A formiga e a cigarra, Chapeuzinho vermelho, Branca de neve, O patinho feio, A menina dos fósforos. Eu adorava quando ia para Vila Velha pois meu primo Johnson tinha outras estórias , Alice no país das maravilhas, A moura torta e outras. Passávamos o nosso tempo ouvindo as estorinhas olhando para a capa, trabalhando a nossa imaginação. Era muito divertido.
Coleção Disquinho e Disco do Topo Gigio faziam a alegria  do nosso mundo infantil 

Entre os discos de papai tinha uma música também que fazia sucesso lá em casa , o nome da música era Moço, cantada por Marisinha.
Alguns anos se passaram e a vitrola se  quebrou.  Sem conserto e já fora de moda foi relegada a um canto da casa como um móvel sem utilidade. Como não vivíamos sem música papai logo providenciou um novo aparelho de som para trazer  a alegria  da música de novo, era um toca-discos e um toca-fitas.

Ouça aqui a canção Moço,  por Marisinha